Eu adorava quando minha avó fazia tranças em mim, principalmente
quando ia trançando uma fitinha de cetim cor de rosa junto com o cabelo. Era uma coisa tão boa,
gostosa e bela que nunca pensei na força que me trazia, e que até hoje a simples
lembrança dela ainda me traz.
É disso
que fala esse texto poético e mitológico de forte empoderamento para nós,
mulheres.
A autora é uma mexicana contemporânea, chama-se Paola
King e seu blog é
https://paolak.wordpress.com/.
A tradução coletei em http://www.antroposofy.com.br/
O vídeo está em espanhol, mas abaixo está a tradução.
Trenzaré mi tristeza / Paola Klug
"A
minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia
fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e
não pudesse atingir o resto do corpo.
Havia
que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer
com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos
lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que
também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou
queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
Quando
te sintas triste, menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na
madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força.
O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do
cipreste e suave como a espuma do atole.
Que
não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração
despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza
entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos
canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre
a tua tristeza.
E
na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e
desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…”

Amei!!!!
ResponderExcluirBjs